Emissões fugitivas são as pequenas perdas — muitas vezes invisíveis — de gases (compostos orgânicos voláteis e metano) por válvulas, flanges, conexões e selos de bombas e compressores. Individualmente parecem desprezíveis; somadas a dezenas de milhares de componentes de uma planta, tornam-se perda de produto, emissão de gases de efeito estufa, risco de segurança e não conformidade ambiental.
Ao longo dos últimos anos, a Aires implantou e operou programas de LDAR (Leak Detection and Repair) em refinarias, terminais e dutos de transporte, unidades de tratamento de gás natural e termoelétricas a gás, em diversas regiões do Brasil — já tendo cadastrado e monitorado mais de 100 mil componentes, do cadastro à comprovação do reparo.
O desafio
Um vazamento fugitivo é difícil de encontrar: é invisível, está espalhado por dezenas de milhares de pontos e muda ao longo do tempo (com a operação, a manutenção e o desgaste). Sem um programa estruturado, ele só aparece quando já virou perda relevante, risco ou reclamação.
Além da perda de produto, os gases fugitivos trazem três preocupações que pesam para a direção: o metano é um gás de efeito estufa potente (agenda de descarbonização), há risco de segurança (incêndio, explosão e exposição a substâncias como o benzeno) e há exigência regulatória e de licença ambiental — no Brasil, órgãos ambientais estaduais (como a CETESB) já exigem programas estruturados de detecção e redução de emissões fugitivas.
Emissão fugitiva não se resolve com uma medição pontual: é preciso um programa contínuo de detecção, quantificação, reparo e comprovação.
O que é um programa LDAR
LDAR (Leak Detection and Repair — Detecção e Reparo de Vazamentos) é um programa estruturado, baseado no método EPA Method 21 da US EPA, que percorre todo o ciclo do vazamento:
- Cadastro e tagueamento de cada componente (válvulas, flanges, selos, conexões…), com foto e identificação por etiqueta (TAG).
- Detecção do vazamento em campo.
- Quantificação da taxa de emissão.
- Comunicação dos pontos vazantes para reparo.
- Reparo e re-monitoramento (nova medição para comprovar a eficácia).
Como a Aires faz
Detecção: LDAR clássico + Smart LDAR (OGI)
A Aires combina duas tecnologias de detecção: o LDAR clássico, com analisador portátil (TVA, detector FID) que mede a concentração (ppm) componente a componente, e o Smart LDAR, com câmera de imagem óptica de gases (OGI), que mostra a pluma do vazamento e permite varrer áreas extensas e pontos de difícil acesso rapidamente (protocolo NTA 8399).
Quantificação
A partir da leitura de campo, aplicam-se as correlações da US EPA (EPA-453/R-95-017) que convertem a concentração medida em taxa de emissão (kg/ano) — uma estimativa mais realista do que usar apenas fatores genéricos (AP-42).

Reparo e re-monitoramento
Os vazamentos são comunicados e encaminhados para reparo; depois, o componente é medido novamente para comprovar a redução — é o re-monitoramento que fecha o ciclo e demonstra a eficácia do programa.
Calibração e rastreabilidade
O analisador é calibrado diariamente (zero e span) com gás padrão certificado, conforme o EPA Method 21. A Aires é acreditada ISO/IEC 17025 (Cgcre CRL 1816) para a determinação de compostos orgânicos voláteis (COV) pelo EPA Method 21 (detecção por FID), o que dá rastreabilidade e aceitação regulatória aos resultados.
LDAR clássico × Smart LDAR (OGI): quando usar cada um
As duas abordagens se complementam:
| Critério | LDAR (EPA Method 21) | Smart LDAR (OGI) |
|---|---|---|
| Como funciona | Analisador portátil (TVA/FID) mede ponto a ponto | Câmera óptica mostra a pluma de gás |
| Tipo de dado | Quantitativo (ppm por componente) | Qualitativo (vazamento visível ou não) |
| Melhor para | Medir e quantificar componente a componente | Varredura rápida e pontos de difícil acesso |
| No programa | Confirma e quantifica o vazamento | Localiza rápido onde vale investigar |
Resultados obtidos
- Programas em grande escala: de milhares a dezenas de milhares de componentes por unidade, cadastrados e monitorados por TAG.
- Baixas taxas de vazamento (tipicamente abaixo de 2% dos pontos), com alta taxa de sucesso de reparo (frequentemente 97% a 100%).
- Reduções expressivas de emissão após a remediação — da ordem de 75% a mais de 99% nos pontos reparados.
- Emissões quantificadas em kg/ano por unidade e por tipo de componente, apoiando o inventário e as metas de redução.
Por que este programa importa
Reduzir emissões fugitivas significa recuperar produto, cortar emissões de metano (peça-chave da agenda de descarbonização), diminuir riscos de segurança e de exposição (por exemplo, ao benzeno) e atender às exigências dos órgãos ambientais e das condicionantes de licença. É um programa que une eficiência operacional, segurança e meio ambiente.
LDAR e a agenda global de redução de metano
Nos últimos anos, a redução das emissões de metano tornou-se uma das principais prioridades ambientais da indústria de óleo e gás. Além de representar perda de produto, o metano possui elevado potencial de aquecimento global, tornando seu controle uma das medidas mais eficazes para acelerar a descarbonização do setor.
Nesse contexto, programas estruturados de LDAR (Leak Detection and Repair) desempenham um papel fundamental na identificação, quantificação e redução de emissões fugitivas de metano e compostos orgânicos voláteis (COV), fornecendo dados confiáveis para a tomada de decisão e para a melhoria contínua do desempenho ambiental.
Empresas participantes do Oil & Gas Methane Partnership 2.0 (OGMP 2.0), iniciativa coordenada pelo United Nations Environment Programme, buscam evoluir continuamente a qualidade de seus inventários de emissões, substituindo estimativas baseadas apenas em fatores de emissão por dados cada vez mais representativos das emissões reais.
Da mesma forma, a Oil & Gas Decarbonization Charter (OGDC), lançada durante a COP28, estabeleceu o compromisso de grande parte da indústria mundial de petróleo e gás em atingir emissões próximas de zero de metano até 2030 e eliminar a queima rotineira de gás.
Embora a participação nesses programas dependa das estratégias corporativas de cada empresa, um programa de LDAR bem estruturado fornece informações essenciais para identificar oportunidades de redução, acompanhar indicadores de desempenho e apoiar iniciativas de descarbonização alinhadas às melhores práticas internacionais.

A experiência da Aires na implantação e operação de programas de LDAR permite apoiar empresas que buscam elevar a confiabilidade de seus dados de emissões, reduzir perdas operacionais e fortalecer suas estratégias de sustentabilidade e conformidade ambiental.
Boas práticas
- O limiar de vazamento deve refletir o risco: mais restritivo (por exemplo, 500 ppmv) em linhas com benzeno ou de refino; padrão (10.000 ppmv) em fontes de menor risco.
- O re-monitoramento após o reparo é o que comprova a eficácia — medir antes e depois.
- LDAR (quantitativo) e Smart LDAR/OGI (varredura visual) se complementam: mais cobertura e mais rapidez.
- Calibração diária rastreável do analisador é indispensável para a validade dos dados.
- Cadastro e tagueamento rigorosos garantem rastreabilidade campanha após campanha.




