Nenhum estudo de dispersão é melhor do que o inventário que o alimenta. Da mesma forma, nenhuma rede de monitoramento será representativa se as estações forem instaladas nos locais errados. É por isso que inventário, modelagem atmosférica e dimensionamento de rede precisam ser tratados como um único processo.
Na prática, o serviço responde a três perguntas encadeadas — o que se emite, para onde vão os poluentes e onde monitorar —, e cada etapa alimenta a seguinte. Ao longo dos anos, a Aires realizou mais de 30 estudos de inventário, modelagem e dimensionamento de rede — milhares de fontes inventariadas e centenas de cenários simulados —, em mais de dez setores e em projetos por todo o Brasil.
Por que integrar os três
Tratados isoladamente, os três serviços entregam menos: o inventário vira um número sem consequência, a modelagem parte de dados frágeis e a rede monitora onde não importa. Integrados, viram um processo de decisão.
O inventário alimenta a modelagem, que orienta o dimensionamento da rede — e os dados da rede realimentam e validam a modelagem. É esse ciclo que transforma dados de emissão em decisão.
Pilar 1 — Inventário de fontes de emissão
O inventário identifica, quantifica e caracteriza as fontes de emissão de um empreendimento. É a base de tudo: sem saber o que se emite, não há como modelar a dispersão nem gerenciar a qualidade do ar. A Aires inventaria os quatro tipos de fonte:
- Fontes fixas — chaminés, caldeiras, fornos, secadores e sistemas de exaustão.
- Fontes móveis — veículos, máquinas off-road, locomotivas e embarcações.
- Fontes difusas e fugitivas — pilhas de material (erosão eólica), vias pavimentadas e não pavimentadas (ressuspensão), tanques e conexões.
- Gases de Efeito Estufa (GEE) — para inventários corporativos e programas de descarbonização.
A quantificação combina fatores de emissão reconhecidos (US EPA AP-42, EMEP/EEA), medição direta em chaminés (amostragem isocinética ou CEMS) e, para os GEE, o GHG Protocol e o IPCC (Escopos 1, 2 e 3). E um bom inventário revela onde está o problema: em operações a céu aberto, por exemplo, as fontes difusas — como a ressuspensão de poeira em vias não pavimentadas — costumam responder pela maior parte do material particulado, direcionando o controle para onde ele faz diferença.
No caso dos GEE — muitas vezes exigidos por órgãos ambientais e por financiadores (IFC, KfW) —, o inventário quantifica as emissões em toneladas de CO₂ equivalente e embasa metas de redução. A plataforma AiresEmission organiza tudo de forma georreferenciada e integra o inventário aos estudos de dispersão.
Pilar 2 — Estudo de dispersão atmosférica (modelagem)
A modelagem prevê como os poluentes se comportam na atmosfera — para onde vão, em que concentração e com que frequência atingem as comunidades e as áreas sensíveis do entorno. A escolha do modelo depende do problema:

| Modelo | Quando usar |
|---|---|
| AERMOD | Modelo regulatório para a maioria dos casos, em terrenos simples ou complexos |
| CALPUFF | Longas distâncias, relevos complexos e variações meteorológicas no tempo e no espaço |
| CFD | Geometrias industriais complexas, com simulação tridimensional de alta resolução |
| WRF | Processamento meteorológico avançado, quando faltam dados medidos |
| CMAQ | Poluentes de formação secundária (fotoquímica), como o ozônio |
Os estudos usam meteorologia medida ou prognóstica (WRF), topografia (SRTM) e malhas de milhares de receptores, cobrindo domínios de dezenas de quilômetros — sempre confrontados com os padrões de qualidade do ar (CONAMA 506/2024 e padrões estaduais).
Mas a modelagem vai muito além do licenciamento (EIA/RIMA) e das condicionantes — ela responde a perguntas mais complexas:
A modelagem vai além do licenciamento
- Cenários operacionais — uma parada geral (turnaround), a partida de uma nova unidade ou o antes-e-depois de uma medida de controle, quantificando a redução obtida.
- Risco à saúde — acoplando a pluma a avaliações de dose-resposta e à população exposta, inclusive em eventos acidentais.
- Odor — com tratamento por unidade de odor (OU) e correção peak-to-mean.
- Auditoria técnica — avaliando criticamente estudos de dispersão elaborados por terceiros.
A plataforma AiresFlow leva a modelagem para o tempo real; e os resultados podem ser integrados às plataformas da Aires para análises preditivas, geração automática de cenários e apoio à tomada de decisão.
Pilar 3 — Dimensionamento de redes de monitoramento
De nada adianta uma rede de monitoramento se as estações estiverem no lugar errado. O dimensionamento define quantas e onde instalar as estações para que os dados representem, de fato, as condições da região, a influência das fontes e a exposição das comunidades.
Onde a Aires se diferencia
A maioria das redes é implantada por critérios empíricos ou pela disponibilidade de terreno. A Aires usa critérios quantitativos para definir o número mínimo de estações e as suas posições ótimas — reduzindo custos e aumentando a representatividade da rede.
A metodologia é objetiva e alimentada pelo campo de concentração da modelagem (AERMOD):
- Figura de Mérito (FOM) — combina a concentração modelada com a população exposta para hierarquizar os melhores locais.
- Esfera de Influência (SOI) — mede a correlação espacial entre pontos; quando duas esferas se sobrepõem, elimina-se a estação de menor mérito, chegando ao número mínimo de estações e às posições ideais.
O posicionamento final segue o Guia Técnico para o Monitoramento e Avaliação da Qualidade do Ar (MMA), considerando ainda a rosa dos ventos, o uso do solo, as áreas sensíveis e a viabilidade logística. O serviço atende tanto à implantação de novas redes quanto à avaliação e otimização de redes existentes — revisando uma rede antiga ou realocando estações para melhorar a representatividade.
A integração entre AiresFlow, AiresEmission e AiresViewer conecta inventário, modelagem e monitoramento num fluxo contínuo de avaliação ambiental.
O que esse serviço entrega
- Emissões quantificadas e caracterizadas por fonte, prontas para a modelagem e o licenciamento.
- Mapas de concentração que mostram onde e quando os padrões de qualidade do ar podem ser atingidos.
- Número e posição das estações de monitoramento tecnicamente justificados.
- Avaliação de cenários (operacionais, de controle e de risco) para decisões mais seguras.
- Inventários de GEE que apoiam metas e planos de descarbonização.

Aplicações
Exemplos de aplicações
- Licenciamento de uma nova usina
- Ampliação de uma mina
- Implantação de um porto
- Revisão de uma rede de monitoramento existente
- Inventário de emissões (inclusive estadual)
- Plano de descarbonização
- Estudos para financiamentos internacionais




